Restaurantes, bares e teatros no Reino Unido proíbem o uso de óculos da Meta

Restaurantes, bares e teatros no Reino Unido proíbem o uso de óculos da Meta

Os populares óculos da Meta dividem opiniões, com os críticos a levantarem preocupações sobre filmagens sem consentimento, privacidade e recolha de dados.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Christoph Schmidt - DPA Picture-Alliance via AFP

Vários restaurantes, bares e teatros no Reino Unido estão a proibir a entrada de pessoas nos estabelecimentos com os óculos da Meta, alegando violação da privacidade de clientes e funcionários.

Jeremy King, proprietário de vários estabelecimentos de renome em Londres, como o “Simpsons in the Strand”, o “Arlington” e o “The Park”, afirmou que os clientes não devem usar os óculos dentro dos seus estabelecimentos.

“Eu jamais permitiria, conscientemente, qualquer invasão da privacidade dos clientes, exceto com os olhos com os quais nascemos”, disse Jeremy King ao jornal The Guardian.

Vários bares também estão a seguir o mesmo exemplo, como o clube privado Soho House e a rede de pubs Wetherspoons.

“O código geral que se aplica aos nossos pubs, e à maioria dos pubs, é que não se pode filmar clientes ou funcionários sem a permissão deles. Os óculos Meta parecem violar esse código e o bom senso, ao permitirem a vigilância clandestina, então o nosso instinto é dizer para desligarem as câmaras”, disse Tim Martin, diretor executivo da Wetherspoons.

Quem quiser usar os óculos Meta no teatro também poderá enfrentar obstáculos.
Um porta-voz da ATG Theatres, proprietária do Bristol Hippodrome, do Edinburgh Playhouse e de vários outros teatros em Londres, afirmou que as filmagens não são permitidas e que quem estiver a usar os óculos durante as apresentações será solicitado a retirá-los.
Óculos dividem opiniões
Com mais de sete milhões de pares vendidos em 2025, os óculos inteligentes Ray-Ban da Meta estão a ganhar sucesso em todo o mundo.

A gigante tecnológica de Mark Zuckerberg esforçou-se para popularizar o uso dos óculos, distribuindo pares gratuitos para influencers populares nas redes sociais e, mais recentemente, ao usar Kylie Jenner como modelo para promover a nova linha de óculos.

No entanto, os óculos dividem opiniões e estão envoltos em polémica. Embora os defensores afirmem que os óculos estão a fotografia e a acessibilidade, os críticos levantam preocupações sobre filmagens sem consentimento, privacidade e recolha de dados.

Os óculos são semelhantes a óculos comuns, possuindo apenas pequenas câmaras nas extremidades que permitem tirar fotos e gravar vídeos em primeira pessoa. As câmaras emitem uma luz LED quando estão a gravar, mas há relatos de pessoas que se queixam de terem sido filmadas sem o seu consentimento.

Há, inclusive, vários vídeos que se tornaram virais, gravados com estes óculos, que mostram situações de assédio a várias mulheres.

Por causa destes vídeos, o Instagram reforçou a fiscalização de vídeos não consensuais feitos com os óculos da Meta e publicados na rede social. "Se publicar conteúdos que se aproveitam das pessoas e as assedia, como os conteúdos a abordar mulheres que se popularizaram na rede social, então vamos removê-los", disse Adam Mosseri, diretor do Instagram.

"Não queremos que as pessoas gravem vídeos de outras pessoas às escondidas, as assediem e depois publiquem esses vídeos na nossa plataforma", acrescentou.

A Meta, por sua vez, garante preservar a privacidade. “As pessoas usam os nossos óculos porque eles são realmente úteis – desde ouvir música até tradução simultânea ou chamadas com as mãos livres. Para quem os usa e para as pessoas ao redor, a confiança é fundamental. É por isso que incorporamos a privacidade aos nossos óculos de IA desde o início. Por exemplo, cada par possui um LED de captura que pisca quando se tira uma foto ou grava um vídeo que pode ser salvo ou compartilhado; ele não pode ser desligado e, se alguém cobrir ou danificar o LED, a câmara é desativada”, disse um porta-voz da Meta ao Guardian.
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